Talvez eu não exista para sentir pouco
Eu realmente não me lembro de sequer um ano da minha vida em que eu não tenha sentido demais. Por um tempo - quando descobri que tenho um cérebro neurodivergente - culpei a hipersensibilidade sensorial. Afinal, os sons sempre pareceram altos demais, as cores muito vibrantes, o toque físico tão intenso que chegava a parecer uma agressão. Até as minhas papilas gustativas sentiam os alimentos como uma explosão de sabores.
Mas eu também me emocionava facilmente com uma música, atribuía a elas significados especiais, só meus, que me causam ciúmes e que me fazem querer guardá-las numa caixinha trancada a sete cadeados, sendo que eu e somente eu tenho a combinação. Concedia vida aos objetos e conversava com eles, sentia genuína empatia por cada serzinho inanimado que diante de mim se fixava . Não queria que um se sentisse incluído e o outro deixado de lado. Na minha cabeça isso fazia sentido, eu só queria ser boa.
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